Boa chegança,
Se achegue, se abanque, puxe um banquinho, não tenha pressa de sair, vamos prosear e compartir experiências, sobre vivencias e convivências, vamos falar também da aparência acinzentada do nosso bioma do sertão, que também está nas favelas, assim como a escassez, existe sim, mas não predomina, aqui temos muita abundância, não aceito ver nossas comunidades como maledicência, é uma realidade que oprime, mas não determina nossa vida, não suga nossa alegria de viver reexistindo na sobrevivência.
A memória me reporta ao quintal lá casa, pela manhã o sol com seus raios matutino nos encorajava para ver e viver dia, conviver com alegria no trato com a terra, a tarde quando o sol se escondia, lá estava nós em volta da fogueira, expostos a beleza esplêndida da luz do luar, eu gostava de brincar, contar estrelas, e ouvir os mais velhos prosear, profecias, casos e causos, vida verdadeira com arte arteira do cordel e poesia matuta.
Aqui desse meu lugar de fala, a minha narrativa é atravessada por uma peregrinação humana, com nossa essência de espiritualidade transformadora. O que ficou em mim das lembranças desse lugar, é uma educação roceira, que não é grosseira é só um jeito matuto de viver e ser, Ser-Tão apaixonado pela vida em comunidade.
SER-TÃO, de sertão mesmo, originário de "desertão". de-ser-tão-humano
INHAMUNS – é uma microrregião do estado do Ceará, onde está situado o árido sertão cearense. A sequidão da caatinga, o calor é escaldante que nos dar a sensação que o sol estar mais próximo da terra, de tão quente que é, a população mais pobre é castigada pela escassez de recursos, de educação formal, estiagem é secura da falta d`água, falta de chuva, de víveres e de oportunidades.
Resistimos com graça a desgraça, a sêde cavando cacimba, cuidando de olhos d’aguas que nasce em lugares improváveis, assim como a sabedoria de um povo improvável que sabe improvisar- como diz Nêgo Bispo:
“Quando nós falamos tagarelando
E escrevemos mal ortografado
Quando nós cantamos desafinando
E dançamos descompassado
Quando nós pintamos borrando
E desenhamos enviesado
Não é porque estamos errando
É porque não fomos colonizados.”
INHAMUNS... Terra seca, clima quente e hostil, aqui foi minha forja, o ardor do calor daqui, foi o suficiente para me moldar, é daqui que vem minhas raízes, os fundamentos do meu caráter, onde cresci com os princípios da educação roceira e a solidariedade matuta que meus pais adotivos me ensinaram, muito aprendi do b a bá na cartilha do ABC, ler e escrever, a sabedoria que vem da terra de meus antepassados, passando de geração para geração. São esses os marcos antigos que me posiciona onde estou e o que sou.
Sou Hermes de Sousa, esposo, pai e avô, sou afro sertanejo, imigrante, favelado, ex- presidiário, ex-cracudo, um matuto que valoriza os princípios da igualdade e justiça social, acredita na paz, acredita na educação para não violência, luta pela sustentabilidade, incentiva a coletividade e ver nos relacionamentos um princípio do Reino de Deus"Em todo lugar é preciso fazer, com se tenha o que fazer"- (Por Hermes de Sousa)